O Autor

Compartilhe

Determinação do prognóstico do câncer de mama

Fazem parte da determinação prognóstica do câncer a avaliação da extensão da doença (denominada de estadiamento) assim como a caracterização adicional da presença ou ausência de determinadas proteínas (testadas pela técnica denominada imunohistoquímica) ou a presença exacerbada de determinados genes.

Além disso, a doença tem de ser necessariamente colocada no contexto da idade e comorbidades da paciente, seu suporte familiar e estrutura de apoio.

Estadiamento (avaliação da extensão da doença)

Drenagem de linfonodos da mama

A extensão do câncer de mama tem de ser avaliada em todos os casos, pois ajuda a determinar a melhor estratégia de tratamento. O estadiamento leva em consideração o tamanho do tumor na mama (abreviado como T), o comprometimento (ou não) de gânglios na axila, o número de gânglios comprometidos (abreviado como N), e a presença ou ausência de evidência de metástases ou doença à distância (abreviado como M).

Para se determinar antes da cirurgia o T, N e M, lançamos mão tanto do exame físico quanto dos exames radiológicos (Raio X de tórax, ultrassom de abdome,e  em algumas situações, tomografia computorizada, cintilografia óssea, ressonância nuclear magnética das mamas).

Quando o estadiamento é anterior à cirurgia, falamos em estadiamento clínico. Quando se leva em consideração os achados após a cirurgia,ou seja, o tamanho e número de linfonodos descritos pelo patologista no laudo, fala-se em estadiamento cirúrgico (que é, em última instância, o mais importante).

O estadiamento cirúrgico geralmente é a melhor maneira de avaliar o prognóstico do paciente, mas não raras vezes, temos de propor um tratamento baseados no estadiamento clínico, com objetivo de diminuir o tamanho do tumor antes de proceder com uma cirurgia.

A lista abaixo explica o estadiamento patológico:

  • Estadio 0              tumor in situ (não invasivo)
  • Estadio I               tumor de até 2cm, sem comprometimento de linfonodos
  • Estadio IIA           tumor de até 2cm e até 3 linfonodos axilares ou tumor de até 5cm, sem comprometimento de linfonodos
  • Estadio IIB           tumor de até 5cm, com comprometimento de  até 3 linfonodos ou tumor maior que 5cm, sem comprometimento de  linfonodos
  • Estadio IIIA          tumor maior que 5cm, comprometimento de até 9 linfonodos
  • Estadio IIIB          tumor invade parede do tórax ou pele, até 9 linfonodos
  • Estadio IIIC          dez ou mais linfonodos comprometidos (qualquer tamanho de tumor)
  • Estadio IV             doença metastática presente (qualquer tumor e/ou linfonodos comprometidos)

Imunohistoquímica: caracterização prognóstica adicional obrigatória

Drenagem linfática da mama

Cada caso de câncer de mama diagnosticado deve ser caracterizado pelo estadiamento já descrito, mas também pela presença ou ausência de determinadas proteínas na superfície das células tumorais. A determinação (quantitativa) destas proteínas é feita, inicialmente, pela técnica laboratorial denominada Imunohistoquímica.

A imunohistoquímica irá caracterizar a presença de receptores de estrógeno (RE) e progesterona (RP), sendo que o laudo deverá preferivelmente quantificar esta presença em termos percentuais ou usando outros índices conhecidos (que levam em conta a porcentagem e a intensidade da coloração).

A importância da presença destes receptores é discutida na seção de tratamento, mas basicamente eles não só indicam uma doença de evolução menos agressiva, mas também garantem um alvo para a hormonioterapia, o que melhora bastante o prognóstico da doença.

A imunohistoquímica também deve avaliar a presença de proteína denominada Her-2, e graduar a sua presença em zero, 1, 2 ou 3+. Tumores que apresentam 3+ podem ser alvejados com terapia anti-Her-2, discutida na seção de tratamento. Quando a imunohistoquímica apresenta 2+ para Her-2 (isto constitui um resultado intermediário, indefinido), lança-se mão de exame que tenta detectar a amplificação (aumento) do gene, através de técnica denominada FISH.

Mais uma vez, se Her-2 for positivo por FISH, as células tumorais podem ser alvejadas por terapia anti-Her2.

Oncotype DX, MammaPrint  e outros

Por último, vale mencionar que atualmente existem testes mais sofisticados, como por exemplo um denominado OncotypeDX, que conseguem predizer com maior acurácia o prognóstico de determinados tumores, e o benefício que se pode obter com hormonioterapia e/ou quimioterapia nestes tumores testados.

Estes testes são caros e ainda não são amplamente disponíveis em nosso meio. Em casos muito específicos, solicitamos o Oncotype DX como uma forma adicional de garantir que seja seguro (que não aumente o risco de recidiva da doença) poupar uma mulher da quimioterapia.

Saiba mais

Sou oncologista clínico, trabalho no Brasil desde 2004, e ao longo de vários anos tratando de pacientes com câncer de mama notei a carência de uma fonte simples e direta que foque apenas neste tipo de câncer, e que explique à paciente o que é a doença, como se diagnostica e como se trata. Mais informações: www.rafaelkaliks.com e Google Plus

Sem comentários
Leave a comment